Foto tirada por John Vetterli (http://www.flickr.com/photos/jvetterli/)

Good evening guys!

Esse é o primeiro post feito no meu MacBook. E espero, que seja um post reativador. Preciso postar com mais frequência. Não é falta de ideias. É falta de dedicação mesmo. Mas esse ano vou dar um gás nesse blog. Não é uma promessa. É uma meta.

Primeiramente, um update do post anterior. Passei em todas a matérias que me propus a fazer no período passado .Em segundo lugar, Tenho que agradecer ao comentário do Murilo, que me fez pensar em vários assuntos, e me fez revisar esse texto. Brigado man!

Vamos ao que interessa. O assunto deste post é como a ciência da administração pode contribuir para um desenvolvimento sustentável do software livre proporcionando um ecossistema produtivo. É importante ressaltar que as impressões analisadas por mim sobre o mercado econômico do software livre no Brasil são baseadas em uma percepção empírica do contexto. Estou trabalhando para mudar isso. Estou escrevendo dois artigos sobre software livre para contribuir com uma visão mais científica-qualitativa do software livre. Aproveito para esclarecer que a análise de demanda e oferta é apenas UMA, de muitas outras contribuições que a administração pode oferecer para o crescimento do software livre.

Dito isto, vamos nos concentrar no tema do post. A principal contribuição da administração para a expansão sustentável do software livre dá-se, em minha opinião, no campo da compreensão do funcionamento da lei da oferta e da demanda. Em termos gerais, pode-se dizer que aumento do preço de um produto se dá quando há oferta menor do que a demanda, ou escassez dele no mercado. Os preços reduzem quando há oferta maior do que a demanda, ou excesso de um determinado produto no mercado. Essa explicação pode ser facilmente compreendida da seguinte forma:

Oferta > Demanda = Redução do preço do produto.

Oferta < Demanda= Aumento do preço do produto.

Para esse post assumiremos que “produto” será o software livre não-comercial, “oferta” será a quantidade de treinamentos e alunos capacitados em tecnologias livres, e “demanda” será a necessidade que as empresas tem dessa mão-de-obra. Estabelecido isso, é possível perceber, de forma geral, que fóruns e eventos em geral investem pesadamente em workshops para capacitarem usuários finais nas ferramentas livres. Isso traduz-se em formar a oferta de software livre. É fato também que poucos fóruns, congressos, simpósios e outros eventos dão pouca ou nenhuma atenção a discussão séria de viabilização de software livre nas empresas. Isso, infelizmente tem-se traduzido em não formação de demanda. Na minha experiência atual, como pesquisador de software livre, tenho notado rejeição nas empresas privadas. O que alegam, é que “determinado aplicativo naõ funciona em Linux” ou que “determinado software não é compatível com  o que fazemos” ou ainda, “software livre é coisa de partido de esquerda”. O que na minha opinião acontece muito são apresentações de cases de sucesso em organizações governamentais. E se acontecem com muita frequencia em empresas privadas, não tem muita visibilidade. É importante lembrar que se desenvolvermos excessivamente oferta ou demanda, ambas atitudes serão prejudiciais. O desenvolvimento excessivo da oferta de mão-de-obra, como na minha opinião vem acontecendo, é prejudicial por que em pouco tempo, a mão-de-obra será desvalorizada, considerando que temos pouca demanda. A empresas  poderão “enxergar” da seguinte forma: “Qualquer um faz isso, então vamos pagar vinte reais”. É o que acontece hoje com a formatação de computadores. Pra que pagar, se cada família tem um sobrinho ou um primo de 10 anos que sabe fazer isso?

Engana-se quem pensa que temos um mercado econômico de software livre. Não temos. Temos apenas a oferta de software livre. Ressalto que existem ótimas iniciativas (isoladas infelizmente), para vialbilizar o mercado econômico de software livre, mas em geral, temos apenas oferta, sem demanda. Para afirmar que não existe mercado econômico de software livre precisa-se definir o conceito de mercado. Segundo a Wikipedia (2010):

“Designa-se por mercado o local no qual agentes econômicos procedem à troca de bens por uma unidade monetária ou por outros bens. Os mercados tendem a equilibrar-se pela lei da oferta e da procura.”

O local onde os agentes econômicos realizam essas transações está cada vez mais desterritorializado. Hoje, um dos grandes locais onde acontencem essas trocas sejam por unidades monetárias, bens tangíveis ou intangíveis, é o ciberespaço. Existe um mercado muito bem desenvolvido de software livre. O mercado de trocas de bens intangíveis, que só alcançam a tangibilidade através da gravação ou impressão em mídias físicas. A troca de conhecimento, de informações, de produções livres. Essa é uma parte importante. Não deve atrofiar para o desenvolvimento de outra. Precisamos desenvolver a comunicação com as  empresas de forma mais efetiva. Devemos mostrar, evidenciar que o software livre é melhor não por que são feitos por pessoas legais. Mas por que são superiores em qualidade de código. Isso graças ao código poder ser revisado e alterado infinitamente. E que um código melhor escrito  pode trazer mais estabilidade ao negócio em que o empresário está envolvido. E que ele passará menos aborrecimento e menos tempo resolvendo problemas de instabilidade no sistema/aplicativo dele. A empresa só precisará pagar (ou não) por um treinamento no início da implantação do software. Ou se não quiser pagar, conseguirá suporte voluntário na internet.

Acredito ser necessário monetizar o software livre. Criar uma economia em torno dessa já estabelecida comunidade. Gerar valor econômico e não apenas social. Acredito que o software livre já é muito rotulado como “ideologia”. Acredito que se tenha uma abordagem ideológica. Mas qual é o problema de ganhar dinheiro de forma honesta e ética com a minha “ideologia”?Em contrapartida acredito também que seja necessário uma abordagem mais profissional-cientifica do software livre. Não elitista. Mas profissional, séria. Pronta para discutir resultados concretos ao invés de apenas ideias. Discutir números. Evidenciar evoluções feitas. Indentificar as falhas. Interface? Compatibilidade? Estabilidade? Oque está faltando para tornar o software livre uma realidade nas empresas? Como resolver? Plano de ação e vamos prá frente!

Uma grande contribuição para o software livre não comercial tem sido o Ubuntu. Pode ser encontrado gratuitamente para download na internet, pode ser soclicitado um CD gratuito pelo correio e ainda pode ser redistribuído e modificado por usuários finais. Temos por exemplo o Xubuntu, Kubuntu, Edubuntu, Ubuntu Studio e o que mais a criatividade permitir. No caso do Ubuntu, existe uma empresa que patrocina esta distribuição GNU/Linux: A Canonical. A empresa dirigida por Mark Shuttleworth, em 2005 criou uma fundação para garantir apoio e o desenvolvimento das versões posteriores à 5.10. Esse “suporte” feito pela Canonical, confere uma certa credibilidade ao Ubuntu. Por serem lançadas novas versões semestralmente, é possível programar um upgrade; o que é muito importante para empresas que utilizam este sistema operacional. Existem também as versões LTS (Long Term Support), que são versões com suporte estendido, garantindo assim vida longa ao sistema operacional, partindo do pressuposto que empresas não trocam de sistemas operacionais com tanta frequencia como os usuários domésticos early adopters.

Todas essas ações não fazem do Ubuntu o melhor sistema operacional necessariamente. Mas fazem uma contribuição muito grande para todo o ecossistema do software livre. A chegada do Ubuntu veio trazer respostas à vários questionamentos e mitos. Linux é difícil de usar foi uma delas. O Linux é mal-acabado foi outra. E assim, um a um, os mitos foram caindo. Existem muitos outros mitos a serem desfeitos.

Um dos principais mitos para mim, são os formatos. O uso de software livre não está necessariamente ligado ao uso de formatos abertos. Mas para mim, deveria ser intrinsecamente ligado. Ambos tem abordagens amplas de mercado econômico, baseados em competência. Vejamos: O software livre tem todo o seu código disponível para visualização, alteração e estudo, e pode ser usado para qualquer fim e por qualquer pessoa. Os formatos abertos tem suas especificações disponíveis para que possam ser implementados em diversos softwares. Notaram a semelhança? Utilizar formatos proprietários é tão prejudicial quanto utilizar software proprietário. E não afirmo isso baseado em concepções ideológicas, e sim mercadológicas. Utilizar software livre e formatos abertos é acreditar na livre concorrência. Em um mercado econômico aberto, em que todos tem acesso à informação. Mesmo assim, pode-se escolher prestadores de serviços para executarem tarefas que não sabem ou não estão dispostos a realizarem. Ou seja, escolhe-se por quem tem mais competência, e não por quem tem à informação. A informação é livre. O que falta, na minha análise, é divulgar resultados comparativos criando documentos que comprovem a eficácia do uso de software livre e de formatos abertos. Documentos do tipo: “.doc vs. .odt”  “.jpg vs. .png” “.cdr vs. .svg”. Análises sérias de desempenho de formato. Não adianta termos a aprovação da ISO para os formatos ODF (OpenDocument Format) se esse padrão não é utlizado no dia-a-dia. Não adianta termos o .svg como formato de vetores criado pelo W3C (World Wide Web Consortium), se as pessoas preferem utilizar o .cdr e em muitos casos, pelo menos em Cachoeiro de Itapemirim onde moro atualmente, nem ouviram falar do .svg.

Concluo este texto deixando o seguinte questionamento: O que podemos fazer efetivamente para que as empresas levem o software livre a sério, ao invés de o considerarem como um “brinquedinho” de geeks e nerds? Essa pergunta não é para ficar pensando. É para agir. Até o próximo post.

Referências:

MERCADO. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado> Acesso em: 25 jan. 2010.